Quarta-feira

Violência...



Violência...
Olá amigos e alunos. Vou usar deste espaço hoje para analisar e discutir uma coisa chamada de violência na sociedade. Sinto-me preparado para tanto. Preparado em alguns aspectos, a saber: Sou adulto, responsável, cidadão pagador de seus impostos, trabalhador, casado, chefe de família. Além disso, sou professor universitário graduado em administração e pós-graduado em marketing estratégico. Iniciei e larguei mestrado, fui micro-empresário varejista. Além de todos estes aspectos, recentemente fui vítima de uma tentativa de assalto, onde o meliante efetuou 3 disparos contra meu veículo, quase atingindo a mim e a minha mulher. Em suma: Trago comigo condições de analisar sim a violência, e me utilizar deste espaço para desabafar um pouco. ( grande parte já o fiz também pelo Twitter).

Dizer, como dizem alguns, que a violência é fruto da disparidade social econômica na sociedade, para mim, é algo extremamente lógico. È lógico que a violência é fruto das diferenças sociais. É lógico que a criminalidade é fruto das diferenças sociais. É lógico que a violência e a criminalidade são frutos de uma sociedade marginalizada pela própria sociedade (que coisa... negócio estranho... mas a análise é minha, e cabe a mim analisar como melhor me cabe), de uma sociedade que vive justamente alijada de conceitos básicos de sobrevivência como moradia, alimentação digna, emprego, saúde, educação, etc.

Vejam, caros leitores: tudo que falei aí em cima, e que muitos falam, realmente é extremamente lógico.

O que não é lógico é que o cidadão honesto pague por esta lógica ilógica! Então está certo: Devemos entender que esta criminalidade é fruto de uma sociedade separatista, e devemos então crer que a culpa está em nós, cidadãos de bem, que marginalizamos os demais cidadãos e sepultamos neles ou deles a condição de ¨serem alguém¨ em um mundo ¨cão¨.

Senhores... questiono fortemente isso. Não consigo enxergar em pessoas como eu, cidadãos de bem, a culpa da violência. Somos pagadores de nossos impostos (sim, toda vez que você compra algo, VOCÊ está pagando impostos). E estes impostos, pagos por nós, deveriam voltar na forma de que? Eu respondo: Na forma de benfeitorias para o povo, povo este do qual fazemos parte, sejamos ou estejamos de qualquer um dos lados da violência (ou o agressor ou o agredido).

Fico triste ao ver os impostos que eu pago não gerarem qualquer tipo de benefício no sentido da diminuição da violência. Fico triste ao perceber um nível de mudança igual a zero, ano após ano, nos índices de violência. Aí alguém pode dizer: NÃÃÃOOO! Os índices mudam ano após ano, ou para mais ou para menos! É... pergunte ao povo sobre isso. Pergunte ao cidadão sobre isso. Pergunte o que ele acha do índice... e espere uma resposta não tão educada.

Minha análise e minha visão são mais rasas do que as feitas pelos grandes sociólogos e estudiosos do assunto. Aliás, não tenho a mínima vontade ou pretensão de que este texto sirva de base para qualquer estudo acadêmico. Pelo contrário. Vou usar o espaço para externar meus pensamentos e meus sentimentos. Apenas isso. E continuar desabafando...

Será que os governantes não têm uma noção exata que a falta de educação básica, decente, que hoje não se encontra presente para a maioria das crianças brasileiras (sabe aquelas crianças, aquelas crianças desprivilegiadas? Aquelas que não nasceram nos lares, pelo menos, da classe média? Aquelas que vemos comumente nas sinaleiras das nossas ruas, ou mesmo nas nossas praças, muitas vezes como pedintes, usadas em outras tantas vezes pelos próprios pais), será que o simples fato de não terem uma ação governamental justa não gerará provavelmente no futuro uma onda de violência talvez maior? Alguns podem dizer: Puxa Miranda, você foi profundo agora! E eu respondo: Caramba, nem sei se fui profundo, mas me preocupo com o futuro, não apenas daquelas crianças, mas também das crianças de meus alunos, de meus amigos, e quem sabe no futuro das minhas, crianças estas (dos alunos, dos amigos e minhas) que talvez continuem ¨separadas¨ destas outras crianças pelo conceito social e econômico. E isso, para mim, é a percepção de um futuro cada vez mais grotesco.

Olha, continuo achando injusto que a sociedade de bem pague pela violência que aflora no centro de nossas vidas. Acho que falta educação? Acho! Acho que falta uma ação mais forte por parte dos governantes, que ajudem a esta população mais carente? Acho! Acho que ações assistencialistas por parte dos governantes resolvem os problemas? Mas é lógico que não. Puxa, então Miranda é contra o Bolsa Família?! Não. Não sou contra. Acho que é útil, lógico. Mas o Bolsa Família, sozinho, não resolverá nem mudará nada.

Mas Miranda, você acha que a sociedade de bem não deve pagar pela violência... certo... e na sua visão o que se deve fazer então?

Policiamento! Ostensivo! Que sejam mapeadas as áreas nas cidades, e que após mapeadas a polícia entre e faça seu trabalho. Poxa Mirandinha, que massa sua idéia! Daí resolve não é? Aiai... sei que não é fácil. Sei que o ¨buraco¨ é mais embaixo. Sei que isso não irá resolver...Mas tirei algumas lições da tentativa de assalto que sofri na última quinta-feira. Uma delas: Após ser assaltado, entrei em contato com o 190 da polícia, e a mocinha de prenome Emily, que me atendeu, me informou que de nada adiantaria eu ligar para o 190. Aprendi uma dura lição: ligar para o 190 não resolve nada. O que resolve? Não sei. Estava ilhado entre minha casa e os bandidos, e o 190 me diz isso. Segunda lição: Tem policial que dá um duro desgraçado pela sociedade de bem! Existe sim! No meu condomínio moram alguns PM´s. Quando dois deles, oficiais, souberam do ocorrido, desceram em busca dos marginais. Lição aprendida: Na polícia existe SIM muita gente de bem, muita gente disposta a ajudar o cidadão sem obter nada em retorno, a não ser honrar a farda que vestem e a estrutura que representam.

Mas pergunto: Será que ganham o que merecem? Meu amigo leitor, neste momento, se pergunte: você faria isso? Você sairia de seu lar em busca de um marginal que disparou tiros contra seu vizinho, sendo que você NUNCA teve a oportunidade de conversar com este vizinho? Seja sincero... risos. E mais ainda, quanto você acha que valeria, em termos salariais, uma profissão onde você coloca em risco a sua vida pela vida do cidadão de bem??? Até hoje, depois do acontecido, faço contas na minha cabeça. Quanto eu cobraria do governo para ser policial e combater a violência de arma em punho? Ainda estou fazendo contas... sem levar em consideração ainda a minha família envolvida neste processo...
Veja: Equaçãozinha complicada de se encontrar o resultado. O cidadão de bem não deve pagar pela violência, mas a violência flora de uma sociedade desigual.... Essa desigualdade gera choques, choques que deveriam ser sanados pela força policial....força policial que é mal paga e em alguns casos, pelo menos é o que vejo nos noticiários, mal treinada.... já até me perdi nessa equação....

Bom, não vou me alongar mais. Vou me mudar de endereço, tentando fugir da violência. Sei que ela me encontrará de novo. E me encontrará porque a violência não está isolada em alguns rincões da cidade (que troço estranho, lá em cima eu disse que estava, que era possível de ser mapeada... mudei de idéia? Nem sei se mudei, ou talvez a minha percepção tenha mudado no transcorrer do texto....sei lá).

Vou encerrando. Encerrando torcendo por uma cidade melhor. Encerrando torcendo por uma sociedade melhor. Encerrando torcendo por uma melhoria nos padrões sociais e econômicos do povo, mas vou encerrando também torcendo por uma mudança nos padrões éticos dessa sociedade. Seja você de qual classe social, econômica, cultural...independe. Seja você alto, baixo, gordo ou magro... Ensine ao seu filho HOJE que fazer o mal ao outro é errado. Ensine ao seu filho que tentar tomar aquilo que é do outro é errado. Ensine ao seu filho valores familiares. Regue seu filho com a água do amor e da humanidade. Faça isso hoje, para que amanhã seu filho não seja um daqueles que dispara tiros contra o filho dos outros. Faça isso hoje, para que amanhã seu filho não se torne um ¨tomador¨ de vidas alheias.

Quem sabe, quando todos fizermos isso, tenhamos uma sociedade mais tranqüila, uma sociedade mais voltada a paz, uma sociedade mais voltada para as pessoas e não para os bens.

E enquanto esse momento não chega, lute! Lute através das palavras! Lute através de textos! Lute através da busca por ideais! Lute por governos que realmente se importem com o povo! Lutem por governos que se importem com o cidadão de bem! Lutem por governos que busquem mudar e transformar a sociedade em algo mais justo e igual, em algo pelo menos mais razoável de viver.

E no meio de tudo isso, lute por educação! No meio de tudo isso, lute por emprego! No meio de tudo isso, lute por saúde! No meio de tudo isso lute por moradia! No meio de tudo isso lute por melhores salários para médicos, professores, policiais, enfermeiros.... no meio de tudo isso, lute por você! E perceba que você, nesta sociedade, só terá um futuro se buscarmos a melhoria de nossas vidas nesta mesma sociedade... Senão, meus amigos, mais pessoas passarão pelo o que eu passei, e mais pessoas sofrerão o que eu sofri. E talvez, estas pessoas não tenham a mesma sorte que eu tive: De sair ileso após ter recebido 3 disparos de uma arma de fogo, em uma tentativa de assalto, juntamente com minha mulher.

Sincera e honestamente? Agradeço apenas a Deus por não ter acontecido nada de ruim conosco. De resto, é o que escrevi no texto. Se a sociedade não buscar uma melhoria agora, a tendência é de piora. Friso: não sou sociólogo, não sou cientista político... Sou Administrador de Empresas. Sou professor Universitário. Sou um trabalhador. Mas, mais que isso, sou um cidadão frustrado. Frustrado com a onda de violência que assola a minha cidade, e que chegou até a minha pessoa e à minha família. Não desejo a nenhum de vocês leitores algo parecido com o que passei. Desejo sim, que juntos, possamos tentar mudar alguma coisa.

Sei que parece piegas, ou talvez não, sei lá... mas nas últimas eleições votamos em deputados federais e deputados estaduais. Você, leitor, deve ter votado. Se ele se elegeu, foi por sua causa! Mande para ele um e-mail. Mande todo dia! Pergunte a ele o que ele está fazendo efetivamente por você, pela sociedade que o elegeu! Encha o saco! Mesmo que seja um assessor que vá lhe responder, envie! Deixe clara sua indignação com a violência, deixe clara sua indignação com a falta de zelo para com o cidadão! E se o sujeito que você votou não se elegeu... escolha um deputado e envie assim mesmo. Ele está lá para servir ao povo. E nós somos povo.

Faça sua parte! Eu estou fazendo a minha. Estou usando a ¨arma¨ que busquei ter em mãos. O conhecimento, a palavra, a busca da melhoria de vida através do conhecimento. E é este conhecimento que tento passar em sala de aula. É o conhecimento que busquei nos livros e na vida, que despejo sem ala de aula, na esperança de não apenas formar grandes profissionais de Administração de Empresas, mas, mais que isso, no sonho de lançar no mercado cidadãos éticos, que buscam a melhoria não apenas de si, mas do mundo que os rodeia!

Vamos mudar as coisas. Juntos, podemos.

Abraços,

Miranda.